segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pitaguary: Um povo que precisa ser lembrado!





O Ceará foi a primeira província a negar a existência da presença indígena em seu território, ainda no século XIX. Como resultado dessa medida, extensas faixas de terra tornaram-se disponíveis, o que beneficiou de forma direta a pecuária extensiva. Nesse contexto, povoados originados pela expansão dessa atividade foram transformados em vilas e o Estado passou a exercer controle crescente sobre a mão-de-obra local, uma mão-de-obra que era basicamente formada por índios submetidos ao regime de trabalho forçado.



A hegemonia que o Estado conquistou sobre os índios após a expulsão dos jesuítas deu lugar a um processo de perda de visibilidade indígena que só começou a ser revertido na segunda metade do século XX, quando, a partir da década de 80, dada à mobilização do povo Tapeba, voltou-se a falar sobre a presença indígena no Ceará. Logo em seguida, já no início da década de 90, foi a vez dos Pitaguary, que começaram a se organizar politicamente para pressionar pela demarcação de sua terra.

http://www.indiosonline.org.br/novo/mangueira-sagrada-dos-pitaguary/




Aula de campo da turma de engenharia ambiental do IFCE a comunidade de pitaguary em Maracanaú, CE:

                         


Realizada sempre aos 12 dias do mês de junho, a Festa da Mangueira Sagrada dos Pitaguary, reúne todas as comunidades Pitaguary, apoiadores, parceiros e amigos. Esse ano foi realizado a Romaria Indígena, que se concentrou na aldeia do Olho d’água e rumou até os pés da Mangueira. Foi um momento bonito e importante para a afirmação da identidade indígena Pitaguary. Contamos também com a participação do Povo Tapeba e Jenipapo Kanindé, que se deslocaram de suas aldeias e vieram confraternizar com o Povo Pitaguary.



A Mangueira Sagrada é um símbolo para nós Pitaguary, quando estamos embaixo de seus galhos é como se fossemos abraçados por ela. Sentimos toda força emanada de suas raízes, tronco e galhos, nesse momento agradecemos pelas vitórias e rezamos pelos guerreiros e guerreiras que já se foram. O Povo Pitaguary se localiza nos municípios de Maracanaú e Pacatuba. Tem uma população de 2000 mil índios e a Terra se encontra no estágio de levantamento fundiário das benfeitorias, com uma extensão de 1735 hectares.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Conheça Genebaldo Freire!!


Genebaldo Freire Dias (brasileiro, Pedrinhas, SE, 3 de março de 1949)


1. Formação:
Bacharel (BD)) , Mestre (M.Sc) e Doutor (PhD) em Ecologia, UnB, Brasília, DF





2. Ocupação atual: Professor, Pesquisador e Diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB), onde também coordena o Projeto de Educação Ambiental.


3. Principais Livros Publicados:

- Populações marginais em ecossistemas urbanos (IBAMA, Brasília)

- Educação Ambiental – princípios e práticas (Gaia, SP)

- Atividades interdisciplinares de educação ambiental (Gaia, SP)

- Pegada Ecológica e sustentabilidade humana (Gaia, SP)

- Ecopercepção (Gaia, SP)

- Antropoceno – iniciação à temática ambiental (Gaia, SP)

- 40 contribuições pessoais para a sustentabilidade (Gaia, SP)

- Educação e Gestão ambiental (Gaia, SP)


Em processo de publicação:


- Fogo, sonhos e desafios (Prevfogo/Ibama, Brasília, DF);

- Queimadas e Incêndios Florestais – cenários e desafios: subsídios para a educação ambiental (Prevfogo/Ibama, Brasília, DF);

- Mudança ambiental global – cenários, desafios, governança e oportunidades (prelo);

- Relatório Homo Sapiens (prelo)

- Dinâmicas e experimentação para educação ambiental (prelo)


4. Principais cargos exercidos na área ambiental:

- Diretor da Área de Controle de Poluição da Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do DF , 1987/1988;

- Secretário Adjunto da Secretaria de Ecossistemas da SEMA/MINTER, novembro ,1988;

- Chefe da Divisão de Educação Ambiental do IBAMA, Brasília, 1989;

- Diretor do Parque Nacional de Brasília (Parque da Água Mineral), IBAMA , Brasília, 1992/95 e Coordenador do Núcleo de Educação Ambiental (1998 – 2006);

- Coordenador do Projeto de Educação Ambiental da UCB (1999- );

-Coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação Ambiental do Prevfogo- Centro Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais /Ibama, Brasília, DF (2007 - );

- Diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Brasília (2008 - ).


5. Experiência como professor:


Regência no 2º Grau


- Professor de Física, Colégio Estadual Duque de Caxias, Salvador, Bahia (1970-1973);

- Professor de Ciências, Inglês, Química, Física e Biologia da Fundação Educacional do DF, Brasília, DF ( 1974-2002)

- Professor de Química e Biologia do Centro Educacional La Salle, Brasília, DF, (1976- 1987);
Regência na Graduação:


- Professor da UCB nas seguintes disciplinas e cursos: “Métodos em Educação Ambiental” no Curso de Engenharia Ambiental; “Fundamentos de Educação Ambiental”, “Ecologia Urbana” , na Biologia; “Gestão Ambiental”, Administração.
Regência na Pós- Graduação


- Professor da disciplina “Proteção do Meio Ambiente” no III Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho, Depto. Engenharia Mecânica, Universidade de Brasília (1989);

- Professor da disciplina Ecologia Humana no Curso Latu Sensu “ Ensino de Ecologia “ , Universidade Católica de Brasília ( 1991) ;

- Professor do “ Curso de Especialização em Educação Ambiental” da Universidade de Brasília, promovido pela CAPES/CNPq/UNESCO, Brasília (1988);

- Professor do “Curso de Especialização em Educação Ambiental “ da Universidade Federal do Mato Grosso, promovido pela UNESCO/CAPES/CNPq/IBAMA/OREALC, Cuiabá, MT ( 1992) ;

- Professor do “ Curso de Especialização em Educação Ambiental “ da Universidade Estadual de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Florianópolis, SC (1993, 1996, 1998,1999 e 2000 ) ;

- Professor do Curso de Especialização em Educação Ambiental e do Mestrado e Doutorado em Planejamento e Gestão Ambiental da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Católica de Brasília, Campus II, Brasília, (1997 - 2007);

- Professor no Mestrado em Gestão do Turismo e Meio Ambiente, da Universidade Latino-Americana e do Caribe, convênio com Universitat de les Illes Balears, Brasília, DF, 1999;

- Professor do Curso de Especialização em Educação Ambiental da Universidade Potiguar, Natal, RN, 1999;

- Professor do Curso de Especialização em Gerenciamento Ambiental da Universidade Católica de Salvador (1999- 2007).


6. Consultorias


Área de Atuação


O prof. Genebaldo Freire atua como consultor independente, nas seguintes áreas:

- Implantação de Programas/Projetos de Educação Ambiental em instituições/empresas; pré-requesitos para a implantação de programas de gestão ambiental;

- Promoção de conferências e palestras de sensibilização sobre a temática ambiental;

- Promoção de cursos de formação para professores em fundamentos de educação ambiental, elaboração de projetos e cursos de atualização em práticas interdisciplinares de educação ambiental;

- Elaboração de recursos instrucionais e institucionais;

- Execução de auditorias em programas de aducação ambiental implantados.
Referências Principais:



1. Planejou, desenvolveu, implantou e avaliou o Programa de Educação Ambiental da Cetrel S.A., Pólo Petroquímico de Camaçari, Bahia (www.cetrel.com.br). Desenvolveu a Agenda 21 da Cetrel, a primeira unidade industrial brasileira a ter uma Agenda 21. Essa empresa de proteção ambiental, detentora do Sistema Integrado de Gestão (ISO-9000, ISSO-14.000 e OHSAS-18.000) ganhou vários prêmios da área ambiental e o Prêmio Nacional de Qualidade. É consultor da Cetrel desde 1997.


2. Planejou, implantou e avaliou o Programa de Educação Ambiental da Universidade Católica de Brasília (1999 – 2007), composto de etapas de diagnóstico, sensibilização e implantação de elementos de gestão ambiental como coleta seletiva, compostagem, preciclagem, central de reuso, conservação de energia elétrica, conservação da qualidade sonora, racionalização de uso da água (reuso), criação de corpo de voluntários e outros (www.ucb.br).


3. Planejou, implantou e coordenou o Programa de Educação Ambiental do Parque Nacional de Brasília (Ibama, DF). Desenvolveu estratégias de atendimento ao público interno e externo. Montou o Centro de Visitantes e implantou diversos elementos de interpretação sócio-ambiental (ilha da meditação, riachinho, labirinto e outros elementos de senso-percepção) (1999 a 2006);


4. Universidade Livre do Meio Ambiente de Curitiba. Durante quatro anos formou grupos de pessoas da área ambiental, em fundamentos de Educação Ambiental (1992 a 1997).

Conheça Michele Sato!!!


NomeMichele Tomoko Sato
Nome em citações bibliográficasSATO, Michèle


    

   
   
   
Formação Acadêmica:


2007 - 2007Pós-Doutorado .
Université du Québec à Montréal. 

1994 - 1997Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais (Conceito CAPES 5) .
Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, Brasil.
Título: Educação para o Ambiente Amazônico, Ano de Obtenção: 1997.
Orientador: JOSE EDUARDO DOS SANTOS.
Bolsista do(a): Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil. 

1990 - 1992Mestrado em Philosophy .
University of East Anglia, ANGLIA, Inglaterra.
Título: How the environment is written - a study of the utilisation of textbooks in environmental education in Brazil and England, Ano de Obtenção: 1992.
Orientador: JOHN PATRICK BARKHAM.
Bolsista do(a): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, Brasil. 

2000 - 2001Especialização em Éducation Relative à L'environnement . (Carga Horária: 450h).
Université Du Québec à Montréal.
Título: Education Relative Au I Environnement.
Orientador: Luice Sauvé.
1979 - 1982Graduação em Licenciatura Em Ciências Biológicas .
Universidade de Santo Amaro, UNISA, Brasil.



Michèle Sato é hoje referência quando tratamos de Educação Ambiental, Confira algumas de suas obras:



SATO, Michèle. Educação ambiental. São Carlos: EdUFSCar, 1996.
SATO, Michèle & SANTOS, José Eduardo. Agenda 21 em sinopse. São Carlos: EdUFSCar, 1999.
SATO, Michèle (Coord.) et al. Ensino de ciências e as questões ambientais. Cuiabá: NEAD, UFMT, 1999.
SATO, Michèle; TAMAIO, Irineu; MEDEIROS, Heitor. Reflexos das cores amazônicas no mosaico da educação ambiental. Brasília: WWF-Brasil, 2002.
SATO, Michèle. Debatendo os desafios da educação ambiental. InRevista Eletrônica de Mestrado em Educação Ambiental. Rio Grande: FURG, 2001, R14-R33p.http://www.sf.dfis.furg.br/mea/remea/index.htm
SATO, Michèle; MONTEIRO, Silas; ZAKREZSKI, Cláudio & ZAKREZSKI, Sônia. Ciências, filosofia e educação ambiental – links e deleites. In OLAM - Ciência e Tecnologia. Rio : UNESP, ano I, 1(1): 133-159, 2001

domingo, 17 de abril de 2011

Mesmas Paisagens, Quadros Diferentes.

René Magritte
http://renemagritte.com.br/la-condition-humaine/


Um: Repensando nosso olhar sobre as relações entre sociedade e natureza.

      Nossas ideias ou conceitos organizam o mundo, tornando-o inteligível e familiar. São como lentes que nos fazem ver isso e aquilo e nos guiam em meio à enorme complexidade e imprevisibilidade da vida. Acontece que, quando usamos óculos por muito tempo, a lente acaba fazendo parte de nossa visão a ponto de esquecermos que ela continua lá, entre nós e o que vemos, entre os olhos e a paisagem.

Neste capitulo nos é demostrado como os nossos conceitos funcionam como lentes, que só nos permitem ver a realidade por um determinado ângulo e faz com que esqueçamos que a nossa concepção não é a única forma de visualizar o mundo. Estamos acostumados a enxergar somente uma pequena parte de uma realidade total bem mais complexa, somos de certa forma reféns das nossas visões ou conceitos, ângulos sempre parciais que usamos para acessar o mundo.

Devemos então trocar as lentes, ou seja, acrescentar novos conceitos a nossa vida para assim podermos ver a mesma paisagem com novos olhos.
Dentro desse conceito de um único ângulo de visão da realidade, nos perguntamos qual o a concepção que temos de meio ambiente, a maioria das pessoas fazem uma ligação direta com a natureza, a vida biológica, vida selvagem, tudo aquilo que estamos acostumados a ver em documentários e tudo aquilo que constrói na nossa mente uma ideia que o meio ambiente esta em outro mundo e não interage com a sociedade.

A EA (educação ambiental) traz o conceito de visão socioambiental, que segue um raciocínio de tratar o meio ambiente não como sinônimo de natureza intocada, mas como um campo de interações entre a cultura, a sociedade e a base física e biológica dos processos vitais, no qual todos os termos dessa relação se modificam dinâmica e mutuamente.




Dois: Outra ecologia e possível: a ecologia do movimento ecológico.
   
 A palavra ecologia, além de designar uma área do conhecimento cientifico, foi associada aos movimentos e praticas sociais que ganharam as ruas e conquistaram muitos adeptos para o projeto de mudança da sociedade em uma direção ´´ecológica´´.
1.   Ecologismo e suas raízes contraculturais.

A ecologia surgiu no meio cientifico definida como a ciência das relações dos organismos com o mundo exterior (Ernest Haeckel, 1866), mas a ideia de ecologia logo migrou da ciência para a politica e projetos sociais, surgiu como critica à sociedade de consumo, criando a expectativa de uma nova sociedade.

As ideias ecologistas tiveram origem em um contexto histórico da contracultura, movimentos que tiveram início no Hemisfério Norte no fim da década de 60 e no Brasil e América Latina nos anos 70 e 80 e eram constituídos principalmente de jovens.
Esses novos conceitos de ecologia surgiram em um momento da historia em que a utopia e as energias para a transformação da sociedade estavam em alta.
A ecologia era tratada por muitos como um estilo alternativo de vida, a visão da natureza como contraponto da vida urbana, tecnocrática e industrial aparece combinada com o sentimento de contestação. O ideal de uma sociedade ecológica se afirmava como uma via alternativa à sociedade capitalista de consumo.
       2. O movimento Ecológico no Brasil
      
 As primeiras lutas ecológicas no Brasil datam dos anos 70, mas é principalmente, no contexto do processo de redemocratização e abertura politica, que entram em cena os novos movimentos sociais, entre eles o Ecologismo, com as características contestatórias e libertarias da contracultura.
    
 Podemos dizer que o movimento ecológico no Brasil será resultado de dois contextos socioculturais:
- O contexto Internacional da crítica contracultura e das formas de luta do Ecologismo europeu e norte-americano.
- O contexto nacional, em que a recepção do ideário ecológico acontece no âmbito da cultura politica e dos movimentos sociais do país, assim como da América Latina.
     
     3. Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil   
Com o surgimento do movimento ecológico, começa a preocupação da sociedade com o futuro da vida e a qualidade de da existência das presentes e futuras gerações, com isso surge também a educação ambiental. A EA herdou a responsabilidade da conscientização para a finitude e a má distribuição no acesso aos recursos naturais e envolver cidadãos em ações sociais ambientalmente apropriadas.

A EA tem seu maior reconhecimento a partir da década de 90 , com o avanço da consciência ambiental. Durante o Rio-92 as ONGs, e movimentos sociais de todo mundo formularam o tratado de Educação Ambiental para sociedades sustentáveis.    



Três: Um sujeito ecológico em formação
   
   Os processos de formação de uma consciência ecológica passam pela historia do movimento ecológico e da própria educação ambiental. A tomada de consciência do problema ambiental tem que ver também com a crescente visibilidade e legitimidade dos movimentos ecologistas que vão ganhando força e conquistando adeptos para um núcleo de crenças e valores que apontam para um jeito ecológico de ser, um novo estilo de vida, com modos próprios de pensar o mundo e, principalmente, de pensar a si mesmo e as relações com os outros neste mundo.
  
O sujeito ecológico é um ideal de ser que condensa a utopia de uma existência ecológica plena, o que também implica uma sociedade plenamente ecológica.

O sujeito ecológico agrega uma serie de traços, valores e crenças e poderia ser descrito em facetas variadas. Em sua versão politica, poderia ser apresentada como sujeito heroico, vanguarda de um movimento histórico, herdeiros de tradições politicas de esquerda, mas protagonista de novo paradigma politico-existencial. Em sua versão nova era, é visto como alternativo, integral, equilibrado, harmônico, planetário, holista. Em sua versão de gestor social, supõe-se que partilhe de uma compreensão política e técnica da crise socioambiental, sendo responsável por adotar procedimentos e instrumentos legais para enfrenta-la, por mediar conflitos e planejar ações.

O Ecologismo nasceu criticando a aposta no progresso ilimitado tanto do ponto de vista da duração e da qualidade da existência humana quanto da permanência dos bens ambientais e da natureza que convivemos.  



   Educação Ambiental, Isabel Cristina de Moura Carvalho